todo mundo tem o coração machucado.
a gente posta foto pra dizer tô arrasando, tô feliz, lacrei, sou foda.
mas a gente diz isso pra si mesmo.
e torce pra que todo mundo dê um like.
faz parte.
quem não quer ser amado (a)?
mas a verdade é que a vida é bem mais complexa e real
do que as redes e seus filtros.
a dor desmonta a gente num suspiro.
arregaça o coração e também arranca o chão.
às vezes, a gente se desespera sem dinheiro, mil boletos atrasados.
quem dorme?
ingratidão também dói.
e a dor da injustiça social corrói.
dor enterrada por planos que não se concretizaram,
sonhos que (ainda) não vingaram.
também já vi gente com muito dinheiro, podendo “tudo”
e sem uma porra de um amigo verdadeiro ao lado.
sofrimentos díspares, sem dúvida.
mas sofrimentos.
a dor da perda também é indescritível.
a partida inesperada de alguém que a gente ama.
essa anda sempre com a gente e quando transborda, fode.
também é embaçado amar alguém e ser enganado.
quem nunca?
por isso, talvez todo mundo que eu conheça tenha um vício.
café, cigarro, açúcar.
roer unhas, beber, contar mentiras.
sabotagem é sobrevivência.
ser humano é suportar os rombos emocionais, afetivos,
financeiros, espirituais.
incógnitas.
não temos, mesmo, muitas respostas.
a gente vai levando.
como pode.
como dá.
mas, existe uma coisa, uma coisinha pequenina
que eu acredito que nos salva,
todos os dias.
parece bobagem, mas pra mim, é o que vale.
o afeto.
com verdade.
quando a gente entra no fluxo de tentar o nosso melhor,
seja isso um mini sorriso ou uma lagriminha de emoção
por alguma coisa que nos tocou o coração, aí alguma coisa brilha.
porque essa tal de boa intenção (dos outros com a gente e da gente com os outros),
ainda é o alicerce pra tudo.
porque…
todo mundo tem um coração.
do presidente da empresa à quem serve o pão.
com certeza, o presidente tá muito mais distante de entender ou conhecer o amor,
afogado na vaidade ou interesses.
já a tia do pão, sabe como é, né?
quem conhece bem a dor e com ela convive, enxerga a do outro melhor.
e que grande sabedoria: oferecer consolo numa mão estendida.
porque sem ele não dá.
a gente não sobrevive.
sem ele, não somos nada.
só ele nos salva.
o AMOR.

08/02 – CIRCO VOADOR – RJ
16/02 – Bloco do BAIXO AUGUSTA SP
25/02 – Bloco PAGU SP

#tbt da vida.
eu saí de casa muito cedo e num tinha dinheiro pra nada.
morava num pensionato, num quartinho sem janelas e os ratos
me faziam companhia de noite, andando no forro do teto.
algumas meninas que moravam lá faziam programa e eu aprendi
muito com elas, sobre a dura realidade que viviam.
compartilhava o pão, o miojo e as panelas de arroz com limão,
porque era tudo que eu tinha pra comer.
nessa época eu distrubuía amostra grátis em corredor de supermercado,
ficava vestida de princesa em buffet infantil (sendo assediada
pelos pais das crianças)
e também servi café no espaço unibanco da rua augusta.
quase sem esperanças, um dia um amigo me ligou e me perguntou
se eu sabia cantar.
era tanto perrengue que eu disse que sim.
ele me deu um CD (alguém lembra?) e me pediu pra decorar
algumas canções pro teste. ok.
só que eram músicas da ella fitzgerald e da billie holiday!
o universo, naquele momento, me pegou pela mão e disse “calma, respira e vai”.
passei no teste e me tornei cantora da noite paulistana.
foram anos cantando nos bares do bixiga, do centro ou na vila madalena.
um dia, caí no baretto, um bar frequentado pela elite
mas também por caetano veloso e chico buarque.
lá, conheci um pianista de 70 anos que me ensinou tudo.
ele dizia que a arte é que escolhe a gente e que cantar era
como atravessar um círculo de fogo pra chegar ao coração
das pessoas (num deu tempo, arigó, de contar pra você que consegui,
14 anos depois, ser indicada ao grammy).
aí apareceram as gravadoras e lancei meu primeiro disco autoral.
teve música em novela, capa de jornal e a primeira viagem de avião na vida.
ganhei um público e cantei pelo país.
muitas alegrias, novidades e também altos e baixos.
meu pai morreu e eu comecei a beber muito,
perdi quase tudo e conheci o valor da verdadeira amizade.
hoje, quando olho pra trás, penso que tudo foi costurado
para o meu aprendizado e crescimento.
escrevo música, canto e agradeço todos os dias
pela saúde e o privilégio de viver de música num país como o nosso.
se eu pudesse tirar uma única lição dessa caminhada
toda é que quando as coisas são feitas com AMOR e verdade,
tudo vale a pena, sempre!

WME Womens Music Event
Uma honra participar do Prêmio das Mulheres
e ainda homenagear Gal Costa cantando <3

Styling: Rodrigo Polack
Fotos: Alonso de Andrade