DIA 22/09 tem SESC PINHEIROS SP
e part. especial de DUDA BEAT
ingressos à venda a partir de 10/09
confirme presença no LINK

longe de ser um cara perfeito, meu pai me ensinou muito.
através do amor e também da dor.
ele era um homem afetuoso e inteligente
- era matemático e possuía uma mente brilhante.
muito sensível, não se encaixava no sistema e adorava
denunciar a hipocrisia dos caretas.
ele também era dependente alcóolico.
meu pai falaceu há 13 anos, mas nos vinte e seis
que convivi com ele pude entender que pessoas
são complexas, que almas são uma miríade
gigante e atravessada de sentimentos.
foram incontáveis os momentos de alegria, risadas,
piadas, brincadeiras e puro afeto, um olhar sempre
atento de quem me conhecia profundamente.
nós sempre fomos muito ligados e ele sabia que eu
também enxergava o mundo por um espectro
diferente – nossa conexão vinha desse lugar,
além de nos parecermos muito fisicamente.
ao mesmo tempo, vi meu pai escolher se destruir.
nunca consegui entender se dependentes escolhem
conscientemente esse caminho ou não possuem
forças para superarem seus vícios.
ele faleceu em decorrência de uma cirrose por conta
do alcoolismo, e nos últimos anos de sua vida,
foram 09 internações.
eu estava sempre ao seu lado, acompanhando-o
nos hospitais públicos, nas clínicas de tratamento
e até num hospital psiquiátrico.
acompanhava as abstinências, as cirurgias,
as crises, as melhoras e as recaídas.
desde muito pequena, aprendi a amar com todas
as minhas forças aquele cara tão diferente,
carismático mas auto-destrutivo.
vida imensa e lôka.
foi muito doloroso ver meu pai não
conseguir vencer a dependência.
é doído demais amar alguém que se vai dessa forma.
ao mesmo tempo, nunca o julguei.
sempre estive ao seu lado, segurando a sua mão
e emanando um amor imenso.
infinito.
meu pai me ensinou muitas coisas, entre elas,
que o humor é fundamental na vida.
me ensinou a acreditar nos meus sonhos
(ele ficou muito orgulhoso quando me tornei cantora).
“seja você e foda-se. mas foda-se com PH”, ele dizia.
mas o mais importante: meu pai me ensinou a AMAR.
porque, com todas as suas fragilidades e percalços,
era no seu abraço, no seu carinho e no seu afeto
que eu me recolhia e sentia a força do amor transcendendo tudo.
por que, no final, é isso que fica.
só isso.
e tudo isso.
o AMOR.

entrevista na FOLHA de SP no Caderno Ilustríssima
sobre o FEMINISMO <3

 Foto: Lucas Seixas

um ensaio de fotos idealizado e realizado só por MULHERES.
publicado com exclusividade no site da Marie Claire Brasil
fotos inéditas + entrevista exclusiva sobre o FEMINISMO
LEIA NA ÍNTEGRA >>> AQUI
Fotos: Fernanda Carvalho
Producão + Figurinos + Beleza: Omar Bergea